Quando acordou o céu estava cor-de-rosa e alaranjado e via-se uma bola de luz a tentar sair das nuvens. A água estava clarinha com um toque de verde, aquele toque característico dos primeiros e últimos meses do ano – a virtude de meados deste dava-lhe o tom de azul típico das águas cloradas de verão. As árvores não se mexiam, como se ainda estivessem semi-adormecidas. Se ainda agora o dia tinha começado!
Saiu e respirou o ar que a rodeava, e não pôde deixar de sorrir, pelo menos por dentro. Arrepiou-se porque não estava propriamente calor – raramente está entre Janeiro e Fevereiro – mas foi um arrepio que não caiu mal tendo em conta a falta de contacto com o exterior nos últimos tempos. Menos de uma hora depois viu a bola de luz espelhada no rio. Sentiu-se leve, quase feliz. Era bom sentir-se assim. Todos precisamos de dias diferentes, e este destoava, sem dúvida, dos outros.
Novamente não conseguiu evitar que o sorriso surgisse, e daquela vez tinha quase toda a certeza de que não tinha surgido só dentro de si, mas para o mundo também.
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