domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dúvida.

Passou-se o dia, veio a noite. Parte daquele e início desta passados a remoer no conceito de alma-gémea. Existiria mesmo? Ela, incansável sonhadora, não desistia de acreditar que sim. Fazia crê-lo a todas as pessoas que se mostrassem dispostas a ouvi-la, através de argumentos onde inicialmente se denotava alguma inconsistência e clara ingenuidade para depois, após alguma reflexão, se descobrir neles uma possível veracidade, levando os seus ouvintes a soltar ocasionais “Por acaso…” e esporádicos “Olha, quem sabe…?”. Isto deixava-a, por momentos, feliz. Breves segundos em que se convencia genuinamente de que tinha mudado a forma de pensar de alguém. Tinha reinstaurado o amor, tinha reinventado a paixão: tinha mudado o mundo!
Claro está que os segundos depressa escasseavam. E antes que pudesse deixar estes pensamentos felizes inundarem a sua face, os outrora crentes nas suas palavras traíam-na com afirmações convictas como “Mas isso só acontece nos filmes!” e “Não sejas tão naïf!”. Nunca chegara a saber se a fase da credulidade teria alguma vez sido real ou se não teria passado de uma grande ironia. A verdade era que não mudara ninguém. Mas quando surgiria alguém que provasse, a ela e a todas as outras pessoas, que sonhos desses não são impossíveis?

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